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A transição do pasto seco para o pasto verde: o papel da mistura de qualidade na adaptação nutricional

28/01/2026 | Blog | 0 Comentários

A mudança do pasto seco para o pasto verde altera rapidamente o padrão de fermentação ruminal, exigindo adaptação da microbiota. Em sistemas de semiconfinamento, a estabilidade do rúmen depende da oferta constante e fisicamente estruturada da dieta.

A chegada das águas muda rapidamente a composição do pasto — e o rúmen precisa se adaptar na mesma velocidade. Em sistemas de semiconfinamento, onde a dieta combina forragem verde com suplementação no cocho, a estabilidade ruminal depende menos da quantidade de nutrientes e mais da forma como eles são fornecidos.

A transição entre a estação seca e o período chuvoso é reconhecida como uma das fases de maior risco nutricional para bovinos de corte e de leite. Durante a seca, predominam forragens mais maduras, com maiores teores de FDN e FDA, baixa digestibilidade e reduzido teor de proteína bruta. Com o início das águas, a rebrota das pastagens provoca uma mudança abrupta no perfil nutricional da dieta, especialmente pelo aumento da digestibilidade, dos carboidratos não fibrosos (CNF) e do nitrogênio solúvel.

Em sistemas de semiconfinamento, essa mudança ocorre de forma ainda mais sensível, pois o animal passa a combinar o consumo de pasto jovem com suplementação energética e proteica no cocho. Estudos da Embrapa Gado de Corte e da Embrapa Pecuária Sudeste mostram que pastagens recém-rebrotadas podem apresentar teores de proteína bruta acima de 18–20%, com elevada degradabilidade ruminal, o que acelera a taxa de fermentação e reduz o tempo de retenção da digesta no rúmen.

Esse novo ambiente exige rápida adaptação da microbiota ruminal, principalmente das bactérias celulolíticas responsáveis pela digestão da fibra. Pesquisas conduzidas pela ESALQ/USP demonstram que populações como Fibrobacter succinogenes e Butyrivibrio fibrisolvens são altamente sensíveis a quedas bruscas de pH. Quando a fermentação é acelerada sem suporte adequado de fibra fisicamente efetiva, ocorre redução da atividade dessas bactérias, comprometendo a digestão da fibra e a estabilidade ruminal.

O risco aumenta quando a suplementação no semiconfinamento é fornecida de forma irregular ou mal misturada. Misturas heterogêneas permitem que o animal consuma “bolos alimentares” ricos em CNF, pobres em fibra efetiva, criando picos fermentativos, queda do pH ruminal e maior incidência de acidose ruminal subclínica. Esse quadro resulta em menor ruminação, redução da produção de saliva — principal tampão natural do rúmen — e perda de eficiência alimentar.

A literatura aponta que a adaptação microbiana ao novo padrão alimentar leva, em média, de 10 a 14 dias. No entanto, essa adaptação só ocorre de forma eficiente quando a oferta de nutrientes é constante, previsível e fisicamente estruturada. Em situações de consumo variável, a microbiota não consegue se ajustar, prolongando o período de instabilidade ruminal.

É nesse contexto que a mistura homogênea da dieta assume papel central na saúde ruminal. O uso de vagões forrageiros misturadores permite integrar volumoso, concentrado e núcleo mineral de forma uniforme, reduzindo a seleção de partículas e garantindo ingestão consistente de FDN fisicamente efetiva ao longo do dia. Trabalhos da Embrapa Pecuária Sudeste indicam que dietas com menor variabilidade física apresentam menor oscilação de pH ruminal e maior eficiência de síntese de proteína microbiana.

Outro ponto crítico na transição seca–águas é o manejo do excesso de proteína degradável no rúmen (PDR). Pastagens jovens de gêneros como Brachiaria e Panicum costumam apresentar relação PDR:PNDR desbalanceada, elevando a concentração de amônia ruminal e as perdas energéticas via ureia. Quando a dieta é corretamente misturada, com fontes energéticas distribuídas de forma uniforme, ocorre melhor sincronização entre energia e nitrogênio, favorecendo a captura desse nitrogênio pelos microrganismos ruminais.

Além disso, a homogeneidade da mistura garante fornecimento mais regular de minerais essenciais à atividade microbiana, como enxofre, fósforo e microminerais. Estudos da Embrapa mostram que variações no suprimento mineral podem reduzir em até 12% a digestibilidade da fibra detergente neutro (FDN), impactando diretamente o desempenho animal.

No semiconfinamento, outros fatores reforçam a importância da mistura de qualidade:

  • o aumento da taxa de passagem no início das águas exige fibra fisicamente efetiva para manter a digestão;
  • o consumo irregular de suplemento intensifica riscos fermentativos;
  • diferenças hierárquicas no rebanho ampliam problemas quando a dieta não é uniforme ao longo do cocho. 

Por isso, os vagões forrageiros misturadores não são apenas uma solução operacional, mas uma ferramenta zootécnica estratégica para atravessar uma das fases mais críticas do ano. Equipamentos capazes de padronizar partículas, misturar com precisão e distribuir de forma uniforme reduzem a variabilidade nutricional diária — um dos principais gatilhos de distúrbios ruminais na transição entre a seca e as águas.

Quando conduzida com planejamento, gradualismo e estabilidade física da dieta, a transição para o pasto verde resulta em maior eficiência alimentar, melhor desempenho produtivo e maior segurança metabólica. A ciência é clara: mais importante do que fornecer nutrientes é fornecê-los de forma constante, equilibrada e ruminalmente segura.

Na transição entre a seca e as águas, não basta ajustar a formulação: é preciso garantir constância, homogeneidade e precisão na entrega da dieta. Os vagões forrageiros misturadores da Casale foram desenvolvidos para assegurar mistura uniforme, padronização de partículas e distribuição eficiente no cocho — fatores decisivos para a estabilidade ruminal, o aproveitamento dos nutrientes e o desempenho dos animais no semiconfinamento.

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